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Brasil: elogios ao estímulo do crédito

Com o objetivo de estimular o mercado de crédito, num momento em que a atividade mostra fraqueza, o Banco Central (BC) anunciou na sexta-feira redução no recolhimento de parte dos compulsórios e no requerimento de capital para risco de crédito ao varejo, medidas com potencial para injetar R$ 45 bilhões na economia.

No caso do compulsório (parte dos recursos dos bancos que fica depositada no BC, ou seja, fora de circulação), a autoridade monetária "decidiu adotar medidas com vistas a melhorar a distribuição da liquidez na economia", um dia após ter deixado claro que não pretende baixar a taxa básica de juro diante da inflação ainda pressionada. O BC disse ainda, em nota, que a medida foi tomada levando em consideração a recente moderação na concessão do crédito, inadimplência relativamente baixa e menor nível de risco no sistema financeiro nacional. A previsão para o crescimento do crédito este ano é só de 12% (foi 14,7% em 2013).

Entre as medidas de compulsório, com potencial de liberar R$ 30 bilhões para uso no mercado de crédito, o BC permitiu que até 50% do recolhimento compulsório sobre depósito a prazo sejam cumpridos com novas operações de crédito e na compra de carteiras diversificadas (pessoas jurídicas e físicas).

Em um segundo comunicado, o BC divulgou ajustes em critérios sobre o requerimento mínimo de capital para risco de crédito das operações de varejo, permitindo "alocação de capital mais compatível com o histórico de pagamentos da operação". O capital adicional requerido nas operações de crédito em função do prazo original de contratação passa a ser pelo prazo remanescente, isto é, até o vencimento.

Segundo o chefe do Departamento de Normas do BC, Sérgio Odilon dos Anjos, a medida relacionada ao crédito ao varejo tem potencial para liberar cerca de R$ 15 bilhões, abrindo uma janela para as pequenas e médias empresas. Antes, os bancos podiam conceder até R$ 600 mil para empresas desse grupo e ponderar 75%. A partir de agora, esse limite passa para R$ 1,5 milhão, ponderando os mesmos 75%. "Isso melhora a oferta de crédito para esse grupo de empresas, que tinha mais dificuldade de acesso", disse.

Itaú e Bradesco– As medidas foram bem recebidas pelos grandes bancos brasileiros. O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que as medidas poderão favorecer segmentos em que a disponibilidade de recursos está mais limitada. "Vejo de forma positiva as iniciativas, pois criam condições de aumentar o crédito em alguns segmentos do mercado financeiro onde a liquidez estava menos folgada", disse.

Em uma medida que pode injetar R$ 30 bilhões no sistema financeiro, a autoridade monetária decidiu liberar até metade dos recursos relativos aos depósitos a prazo. Ou seja, em vez de ter de entregar ao Banco Central na forma de recolhimento compulsório, os bancos podem emprestar esse dinheiro ou até comprar carteiras de crédito de outros bancos. A autorização tem prazo de um ano.

Setubal também viu como positiva a flexibilização da norma sobre quanto os bancos devem ter de capital para cada tipo de operação de crédito. "Vejo muito bem a alteração na norma de alocação de capital para créditos longos pois torna o capital exigido mais consistente com o risco da operação", avaliou. Antes, os bancos precisavam de mais capital para as operações com prazo superior a 60 meses, o que inviabilizou esse prazo no mercado. Com as novas regras, a exigência de capital maior só irá recair sobre a parcela que ultrapassar os 60 meses, e não sobre todo o volume concedido.

O Bradesco seguiu a análise. "Para nós, a flexibilização dos requerimentos pode aumentar em pouco mais de R$ 10 bilhões o crédito sem necessidade adicional de capital", disse o presidente-executivo do banco, Luiz Carlos Trabuco.

tags: brasil, economia, banco central, capital