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Destaque Econômico - Menos 97 mil empregos em um mês

O País fechou 97,8 mil vagas de trabalho em abril, o pior resultado para o mês desde 1992, quando começou a série histórica, um dos efeitos mais perversos da recessão da economia. O mês de abril sempre registrou saldo positivo em empregos. Segundo os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged – indústria, comércio e construção civil foram os setores que mais fecharam postos de trabalho, enquanto o destaque positivo foi a agricultura. Por região, o Nordeste foi a mais afetada.

Em Limeira a situação não foi diferente. Em abril foram fechados 443 postos de trabalho com carteira assinada, e no ano já são 617 empregos a menos.A queda do emprego é decorrente da fraca atividade econômica. Para reorganizar as contas publicas e mais adiante estimular o crescimento, o governo vem fazendo um forte ajuste fiscal. Nas palavras do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, “o PIB não está devagar por causa do ajuste. O ajuste está sendo feito porque o PIB está devagar”. Até agora só está sendo feita a primeira metade do ajuste, com o aumento de impostos e o corte de gastos, para acertar o caixa do governo.Os cortes anunciados somam R$ 69,9 bilhões, destacando-se a redução de R$ 25,7 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento, sendo R$ 7 bilhões do Minha Casa Minha Vida. Do Ministério das Cidades foram cortados R$ 17,2 bilhões, da Saúde R$ 11,7 bilhões e da Educação R$ 9,4 bilhões. Resta saber se esses cortes serão cumpridos, dada a fragilidade política do governo e as cobranças inclusive dos aliados. O setor da construção civil reclama que os cortes levarão à paralisação de obras e aumento das demissões.Outra dificuldade apontada pelo Ministro Levy está no lado da receita. Para atingir a meta a equipe econômica conta com crescimento de 5%, o que parece pouco provável no momento em que a arrecadação de impostos está em queda. O governo aposta na recuperação da economia no segundo semestre para melhorar a receita, mas não nega a possibilidade de novos impostos.

Pacote de concessões sai em junho
O pacote de leilões de concessões do governo federal, que inclui rodovias, ferrovias portos e aeroportos para a iniciativa privada, com papel fundamental na estratégia estimular a retomada do crescimento da economia, deve ser anunciado em junho. Mas os leilões efetivamente devem acontecer somente em 2016, apesar dos esforços do Ministério da Fazenda para fazer caixa este ano.Entre os projetos estão os terminais portuários em Santos e no Pará, e os aeroportos de Salvador, Porto Alegre, Florianópolis e Fortaleza. Há expectativa com a possível participação dos chineses nas ferrovias. Os projetos mais adiantados são os leilões de rodovias e aeroportos. A estimativa é que os leilões rendam R$ 150 bilhões. A falta de recursos para financiamentos de longo prazo e o envolvimento das grandes construtoras na operação Lava Jato são ameaças às concessões.

 

José Carlos Bigotto
Departamento de Economia