O que a educação dos nossos filhos tem a ver com o futuro das empresas?
06/10/2026 - 13:08h
Por que algumas pessoas fazem o que precisa ser feito sem depender o tempo todo de supervisão, cobrança ou recompensa? E por que outras, mesmo diante de metas, bonificações e incentivos, têm dificuldade em assumir responsabilidades e entregar resultados?
Essa é uma pergunta que provavelmente já passou pela cabeça de muitos empresários e gestores. Foi também uma inquietação profissional de Aline Basso Breda, fundadora da Eco Escola Jardim, muito antes de ela imaginar que um dia atuaria na educação.
Como terceira geração de uma tradicional empresa familiar de Limeira, Aline passou por diferentes áreas do negócio — da produção ao financeiro e comercial — enquanto se preparava para assumir a gestão da fábrica. Entre suas responsabilidades estava também a condução das equipes. Foi nesse período que uma questão começou a chamar sua atenção: diante das mesmas condições de trabalho, algumas pessoas demonstravam iniciativa, comprometimento e capacidade de buscar soluções, enquanto outras precisavam ser constantemente conduzidas.
A busca por respostas levou a uma especialização em liderança de alta performance e, posteriormente, a estudos relacionados ao comportamento humano, motivação e gestão de pessoas. Na prática, uma percepção se tornava cada vez mais evidente: metas, recompensas financeiras e premiações podem ter seu papel dentro de uma empresa, mas não são suficientes, sozinhas, para desenvolver autonomia, responsabilidade, iniciativa ou
cooperação.
Foi então que surgiu uma pergunta ainda mais profunda: em que momento da vida começamos a desenvolver essas características?
Da gestão de pessoas à educação das crianças
Conceitos como o mindset de crescimento — a compreensão de que habilidades podem ser desenvolvidas por meio da aprendizagem, esforço e novas estratégias — passaram a se conectar com questões muito presentes no universo empresarial. O mesmo aconteceu com reflexões sobre coragem, capacidade de lidar com erros, colaboração e criação de ambientes nos quais as pessoas possam experimentar e aprender.
Em uma empresa que deseja inovar, por exemplo, é difícil esperar criatividade de pessoas que tenham medo constante de errar. Ao mesmo tempo, inovação não significa ausência de critérios ou responsabilidade. Para que exista espaço para criação, é necessário haver clareza sobre objetivos, limites e acordos.
Essa percepção ganhou ainda mais força quando Aline teve a experiência de trabalhar na formação de novos líderes em uma empresa de inovação de Limeira. Ali, conceitos que vinha estudando puderam ser observados e aplicados em um ambiente profissional, reforçando sua percepção sobre a importância da cultura para o desenvolvimento das pessoas e dos resultados de uma organização.
A conclusão começava a tomar forma: muitas das competências desejadas pelas empresas poderiam começar a ser cultivadas muito antes da entrada de alguém no mercado de trabalho.
Quando a empreendedora se tornou mãe
Até aquele momento, essa era principalmente uma reflexão profissional. A perspectiva mudou quando Aline se tornou mãe e passou a ocupar um novo lugar: o de alguém que precisava escolher a educação dos próprios filhos.
Ao conhecer as propostas disponíveis, percebeu que buscava algo diferente. Mais do que uma escola preocupada apenas com a transmissão de conteúdos acadêmicos, queria um ambiente no qual também fossem desenvolvidos criatividade, autonomia, cooperação, responsabilidade, capacidade de resolver problemas e coragem para aprender.

Foi a partir dessa necessidade pessoal, somada à experiência que já havia acumulado na gestão e formação de pessoas, que Aline Basso Breda decidiu criar a Eco Escola Jardim.
A escola nasceu com a proposta de levar para a infância princípios que já faziam sentido em ambientes de inovação: aprendizagem ativa, participação, investigação, colaboração, clareza nos combinados e oportunidade para que cada criança exerça um papel realmente ativo em seu processo de desenvolvimento.
A Metodologia por Projetos traduz boa parte dessa visão. Em vez de receber sempre uma resposta pronta, as crianças são convidadas a investigar situações, fazer perguntas, levantar hipóteses, trabalhar em grupo, testar possibilidades, rever caminhos e comunicar aquilo que descobriram. São experiências que acontecem dentro da escola, mas que desenvolvem competências que continuarão importantes ao longo da vida.
Liberdade também exige responsabilidade
Um dos aspectos que mais chamam a atenção de quem conhece a Eco Escola é a autonomia das crianças.
Elas participam, argumentam, fazem escolhas e assumem responsabilidades compatíveis com cada etapa de desenvolvimento. À primeira vista, alguém poderia associar essa autonomia simplesmente à liberdade, mas existe uma estrutura importante por trás dela.
Na Eco Escola, regras, acordos, disciplina e combinados são trabalhados com seriedade. É justamente porque as crianças compreendem limites, aprendem a respeitar o coletivo e assumem gradualmente responsabilidade pelas próprias escolhas que se torna possível criar um ambiente com mais espaço para
protagonismo e criatividade.
Essa lógica encontra um paralelo interessante dentro das empresas.
Organizações inovadoras não funcionam porque cada pessoa simplesmente faz o que deseja. A autonomia funciona melhor quando existe clareza sobre propósito, responsabilidades e acordos. Dentro desse contexto, as pessoas conseguem tomar decisões, colaborar e participar mais ativamente dos resultados.
Quando alguém compreende o significado do que faz e percebe seu papel dentro do todo, cresce também a possibilidade de desenvolver um verdadeiro senso de pertencimento.
E talvez seja exatamente isso que muitos gestores estejam buscando quando dizem que gostariam de encontrar profissionais mais comprometidos e responsáveis.
Antes da tecnologia, precisamos preparar as pessoas
Vivemos um momento em que falar de inovação quase inevitavelmente nos leva à inteligência artificial, automação e novas tecnologias.
Tudo isso continuará transformando as empresas. Mas, à medida que essas ferramentas se tornam mais acessíveis, uma outra pergunta ganha importância: quem estará preparado para utilizá-las com criatividade, responsabilidade e capacidade de julgamento?
Investir em tecnologia é uma parte da inovação. Desenvolver pessoas capazes de fazer boas perguntas, trabalhar em equipe, tomar decisões, aprender continuamente e se adaptar a cenários novos é outra.
E essas competências não começam a ser construídas quando alguém recebe seu primeiro cargo de liderança, elas podem começar na infância.
Para pais que também são empresários, gestores ou empreendedores, essa perspectiva acrescenta uma nova dimensão à escolha de uma escola. Além de analisar conteúdos, estrutura e resultados acadêmicos, talvez valha perguntar: que tipo de pessoa estamos ajudando nossos filhos a se tornarem?
Uma criança que aprende a investigar em vez de esperar sempre pela resposta pronta; que entende que errar pode fazer parte da aprendizagem; que consegue ouvir o outro, defender uma ideia e rever uma decisão; que desenvolve gradualmente autonomia sem perder a responsabilidade sobre suas escolhas.

Nada disso significa formar pequenos empresários, significa formar pessoas mais preparadas para participar de um mundo que exige cada vez mais capacidade de aprender, criar, cooperar e lidar com mudanças.
Uma escola que nasceu de uma inquietação empreendedora
A história da Eco Escola Jardim nasceu justamente do encontro entre dois universos que, à primeira vista, poderiam parecer distantes: a experiência de Aline Basso Breda com os desafios da gestão de pessoas e sua experiência como mãe diante da responsabilidade de escolher a formação dos próprios filhos.
Foi dessa inquietação que surgiu uma escola com uma proposta diferente em Limeira, construída a partir de metodologias ativas e de uma cultura que valoriza autonomia, criatividade, cooperação e responsabilidade.
Para empresários, empreendedores e famílias que desejam conhecer essa proposta de perto, o convite é visitar a Eco Escola, observar como as crianças se relacionam com o conhecimento e conversar com quem faz parte dessa comunidade. Porque talvez algumas das respostas para desafios que hoje encontramos dentro das empresas comecem muito antes do primeiro emprego, comecem na forma como educamos as próximas gerações.
Matéria e Fotos: Eco Escola Jardim
