Plano de negócios: Por que ter e como fazer

03/04/2021

O tema é apresentado por Gustavo Terra Nunes, que já desenvolveu mais de 50 projetos com empreendedores através do SEBRAE

Um bom empreendedor deve ter em mente o futuro que almeja para sua empresa e os passos que devem ser tomados para conquistar suas metas. Então, seja no planejamento de um novo negócio ou na organização de uma marca já consolidada no mercado, todo empresário que deseja crescer e expandir os seus trabalhos deve desenvolver um plano de negócios.

Segundo o especialista em Gestão de Negócios, palestrante e gerador de conteúdo Gustavo Terra Nunes, o plano de negócios é uma perspectiva futura planejada sobre a empresa. “Ele traz a segurança necessária para o empreendedor executar a ideia, por meio de um estudo de todas as variáveis que podem interferir na empresa”, explica. Durante a sua elaboração, define-se quem serão os clientes, qual será a proposta de valor, como o negócio será executado, a dimensão de equipe necessária, perspectiva financeira, entre outras coisas.

É através desta ferramenta que o empreendedor pode ter uma previsão de como será o seu empreendimento. O profissional que montar este plano de negócios não terá os números exatos, especialmente nas projeções de vendas, porém ele irá possibilitar um melhor entendimento sobre o comportamento do setor no qual irá trabalhar e, dessa forma, pode tomar decisões mais assertivas baseadas em dados concretos e não em meras especulações e opiniões.

Não existe um consenso sobre o melhor método para se elaborar um plano de negócios, e tudo varia de acordo com a meta estipulada, podendo ser empregadas uma ou mais ferramentas para montar o escopo. “Algumas etapas contempladas em um planejamento podem ser a pesquisa, definição de clientes e proposta de valor, modelagem do negócio, análise financeira, execução e acompanhamento do plano. Mas não entenda isso como uma ‘receita de bolo’”, conta Nunes, pois para cada tipo de negócio e perfil de empreendedor é criado um planejamento diferente.

É por isso que se deve procurar por especialistas neste tipo de projeção, pois eles possuem a experiência e as técnicas necessárias para saber identificar qual ferramenta e informação utilizar para cada tipo de negócio. Sem a ajuda de um profissional, o empreendedor corre o risco de fazer uma análise inconsistente que pode levá-lo a tomar decisões equivocadas.

Entre os diversos parâmetros a serem analisados, há alguns que podem ser destacados, como tentar entender qual é a “dor”, necessidade ou desejo que o produto oferecido irá atender e solucionar, e caso já haja uma ideia para isso, basta realizar uma pesquisa de mercado para validá-la. É através deste estudo que se irá tomar a melhor decisão e, além dela, pode-se criar uma “persona”, ou seja, a personificação do cliente ideal para o empreendimento.

Depois de entender esta persona, define-se qual será o segmento de clientes que irá atingir com o produto ou serviço. “Para definir o segmento de clientes, você pode usar os insights coletados em uma pesquisa e analisar as suas personas. A ideia é agrupar interesses e características comuns para definir grupos que irão compor o segmento de clientes. A proposta de valor e o segmento de público são a base de tudo”, aponta o especialista.

Com estes dados em mãos, chegou a hora de realizar a perspectiva financeira. É preciso ter as premissas (aspectos legais, tributários e de mercado que podem interferir na empresa) e os parâmetros (todos os dados que interferem na análise), e com isso levantar os dados financeiros com pesquisas no mercado. “Para ajudar, busque modelos de plano de contas gerenciais específicos. Isso o auxiliará a não se esquecer de fazer levantamentos que possam interferir na análise. Dessa forma, é possível orçar os gastos com aluguel, internet, energia e salários, por exemplo, ou conversar com outros empreendedores”, ressalta o palestrante.

Em posse das premissas e parâmetros, chegou a hora de levantar o investimento inicial para colocar o negócio de pé, incluindo infraestrutura, sistemas, equipamentos, marca, entre outros. Junto a isso, as previsões de venda, custos, despesas fixas e variáveis para um período futuro devem ser feitas. Depois de subtrair das vendas o custo direto (despesas variáveis e fixas) tem-se a previsão de resultado e a margem de lucro líquida. A partir dele é recomendada a projeção de cenários diferentes, para observar o modo como cada situação impacta no resultado.

Por fim, é válido ressaltar que o plano de negócios é um “documento vivo”, e durante a execução das ações para criar ou transformar uma empresa existente, este plano deve ser constantemente atualizado. “Colocar o plano em prática exige a organização de ações e disciplina com aquilo que foi determinado, para isso o empresário pode fazer o acompanhamento do que foi previsto e do que já foi realizado em todas as categorias de contas da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE)”.

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